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quarta-feira, julho 26, 2006

A Uva de Ramisco em Fontanelas

Não muito longe de Colares, fica a pacata aldeia de Fontanelas.
Aldeia tipicamente rural, onde a produção de frutas, de vinho ainda é visível.
As Uvas da casta Ramisco (as que fazem o famoso vinho de Colares), são ainda produzidas nesta zona, também em chão de areia.
A vindima do Ramisco



Antigamente era assim:

Fotos: Luciano Canelas

Apresentação

Vem de tempos muito remotos a cultura da vinha na região de Colares. Sem que se possa saber concretamente desde quando aí é praticada, parece haver indícios de que já o seria no tempo da ocupação romana. A partir da fundação da nacionalidade, a presença da vinha nesta região é atestada por numerosos documentos. O "Ramisco", casta exclusiva da região de Colares e que imprime ao "Colares tinto" as suas tão peculiares características, encontra-se descrito desde 1790 e, segundo alguns autores, é provável que tenha sido trazido de França para Portugal no séc. XIII, por influência de D. Afonso III. Também para certos autores, "Colares é o vinho mais francês que possuímos", sendo particularmente semelhante aos vinhos da região do Medoc. A região vitícola de Colares divide-se em duas sub-regiões que se distinguem basicamente pelo tipo de solos: - os vinhos tintos e brancos produzidos em "chão de areia", designação que é dada às vinhas típicas da região, instaladas nas areias de duna do litoral; - os vinhos tintos e brancos de "chão rijo", provenientes de vinhas cultivadas noutros solos que não os arenosos e cuja casta tinta recomendada também difere. A cultura da vinha tradicional ("chão de areia") é muito trabalhosa, sendo esse, entre outros, o seu maior encargo. A produtividade é reduzida devido à pobreza dos solos. Na adega, os encargos com o "Colares" reflectem-se no prolongado envelhecimento que a casta Ramisco exige. Todavia, a sua qualidade faz deste produto, genuinamente "saloio", um produto com apreciadores em todas as partes do Globo. O facto da filoxera (finais do século XIX) não ter conseguido penetrar nas vinhas instaladas nas "areias" conferiu à viticultura de "Colares" um grande incremento. Os vinhos produzidos nas dunas do litoral tinham escoamento fácil e rápido dada a escassez generalizada de vinho, e essa forma de penetração no mercado permitiu evidenciar as suas particulares características. Todavia, uma vez encontrada a solução para resistir à praga (uso de porta-enxertos americanos), as vinhas instaladas em solos não arenosos foram sendo reconstituídas e o mercado rapidamente ficou saturado. Devido ao facto de apresentar custos mais elevados e produtividades muito mais baixas, a área de vinha instalada nas dunas entrou em fase de redução até aos dias de hoje. Assim, dos mais de 1000 hectares existentes no início do século, passámos a umas escassas dezenas na actualidade. A Adega Regional de Colares iniciou o seu funcionamento como cooperativa em 1931. Presentemente, a falta de mão-de-obra especializada, o elevado preço daquela que existe, bem como a expansão urbanística em manchas de solos vocacionados para a vinha, são factores que contribuem decisivamente para a sua redução. Com tão antiga tradição e tão notável tipicidade, vinha e vinho da região de Colares são um verdadeiro museu vivo e um ex-libris da mesma. Os seus problemas e a sua sobrevivência transcendem o mero âmbito da economia e passam a constituir uma questão cultural. A área social da Adega compreende três freguesias, Colares, São João das Lampas e São Martinho, pertencentes ao concelho de Sintra, distrito de Lisboa. Presentemente conta com cinquenta e cinco associados numa média de produção a rondar os 70 hl de vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada (VQPRD), 125 hl de vinho Regional Estremadura e 170 hl de vinho de mesa.
CANICO

2 comentários:

Pedro Ferreira, Visconde de Cunhaú disse...

Ainda existem as Caves Beira-Mar? Excelentes vinhos para acompanhar um belo robalo ou dourada do litoral sintrense!

Anónimo disse...

Afinal tenho aqui um bocadinho meu, e não sabia.
Abraço, e bom trabalho.

Luciano Canelas